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Descobrir e respeitar os tesouros naturais da Serra da Bodoquena

Encravado ao sul do Pantanal, o Planalto da Bodoquena reserva paisagens únicas no mundo, combinando águas cristalinas e alta biodiversidade. Além das nascentes de beleza paradisíaca, há deliciosas cachoeiras e enormes grutas com lagos submersos

O cenário é único. Águas cristalinas, o verde estonteante das plantas aquáticas e peixes... muitos peixes. Assim são as nascentes da Bodoquena, no sudoeste do Mato Grosso do Sul. A região –onde se localizam os municípios de Bonito e Jardim– é reconhecida como o destino mais desejado pelos ecoturistas do Brasil. Mas estes confins representam muito mais que um destino turístico. Para os cientistas que ali aportam, a Bodoquena guarda uma rica biodiversidade, boa parte ainda desconhecida.

Para entender um pouco da beleza da região, é necessário voltar no tempo, em um passado geológico muito remoto. Estudos mostram que o subsolo da Bodoquena é formado por rochas calcárias muito puras, originadas há 550 milhões de anos. Estas rochas muito antigas e sua pureza explicam a limpidez das águas. O calcário dissolvido na água absorve e decanta as poucas impurezas restantes, tornado a água mais cristalina ainda. E haja transparência. Em algumas áreas, a visibilidade debaixo da água é de 50 a 60 metros. Uma das águas mais claras do mundo.

Plantas e animais completam o espetáculo visual dos rios da Bodoquena. A rica diversidade de organismos desta região é resultado de outros tantos milhões de anos de evolução biológica. Uma complexa e longa combinação de fatores naturais permitiu que plantas aquáticas, peixes e toda sorte de criaturas minúsculas convivessem harmonicamente em nascentes de águas absolutamente cristalinas. Em conjunto, os organismos formam uma delicada trama de vida, que conecta uma pequena planta aos grandes predadores dos rios, como os dourados e as ariranhas.

* O biólogo José Sabino é doutor em Ecologia pela UNICAMP e consultor da ONU para área de biodiversidade. Atualmente é professor do Mestrado em Meio Ambiente da UNIDERP, onde ministra as disciplinas de “Ecologia de Ecossistemas”, “Biodiversidade do Cerrado e Pantanal” e “Turismo e Desenvolvimento Regional”. É pesquisador-chefe do Laboratório de Biodiversidade, Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos.

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Autor: JOSÉ SABINO*, de Bonito, Mato Grosso do Sul sabino-jose@uol.com.br

 

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